A importância da Concretagem de Peça Estrutural na Construção Civil

A concretagem de peça estrutural consiste na metodologia utilizada em todo processo de concretagem de elementos estruturais desde a especificação de projeto até o lançamento na obra.

 

Documentos de referência

NBR 5738 – Procedimento para moldagem e cura de corpos-de-prova
NBR 5739 – Ensaios de compressão de corpos-de-prova cilíndricos de concreto
NBR 8522 – Determinação do módulo estático de elasticidade à compressão
NR-18 (Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção);
PO.47.00 – Recuperação de Estruturas de Concreto (Bicheiras);
Projeto de Armação;
Projeto de Estruturas;
Projeto de Fôrmas;
Projeto de Instalações Elétricas e Hidráulicas.
Manual de Montagem ASSAHI – SISTEMA ASSAHI E ASSOCIADOS

 

Condições para o Início do Serviço
É recomendável que o engenheiro da obra realize uma reunião prévia com a empresa fornecedora dos serviços de concretagem para discutir os principais itens relativos ao fornecimento ao longo da obra, como:

a) As especificações para o concreto;
b) As condições para bombeamento (faixas de slump e diâmetro máximo do agregado);
c) As condições de acesso / canteiro de obras;
d) Os dados que devem constar na nota fiscal;
e) A carta de traços;
f) Programação de concreto;
g) Os contatos e telefones;
h) Controle tecnológico;
i) Liberação do concreto;
j) O controle do volume fornecido e o acesso ao interior da concreteira para acompanhamento de pesagens.

O Laboratório de Controle tecnológico deve estar contratado antes do inicio do serviço.

Todos os elementos a serem concretados devem estar limpos.

O abastecimento de água e energia do local, as instalações elétricas e os equipamentos (vibradores, cremalheira, nível a laser etc.) devem estar testados e funcionando corretamente.

O campo de Liberação de Concretagem da Ficha de verificação de serviço deve estar assinado pelo mestre de obra e/ou engenheiro.

As especificações do concreto (Fck, Slump, Traço), horário de saída do caminhão da usina, volume do caminhão, volume máximo de água que é permitido adicionar; devem estar de acordo com o descrito na nota fiscal.

As fôrmas, armação, instalações elétricas e hidráulicas  (shafts e passantes) devem estar prontos e conferidos, de acordo com os respectivos projetos.

Mapear a área a ser concretada em desenhos de projeto em papel A 4 ou A 3.

Figura 1 - Foto da laje pronta liberada para concretagem

Figura 1 – Foto da laje pronta liberada para concretagem

 

Controle de Recebimento – Concreto 


Teste de Abatimento pelo Tronco de Cone (Slump Test)

Execução de Ensaio de Abatimento de Tronco de Cone (Slump Test).

Figura 2 - Ilustração do método de medida do "SLUMP TEST"

Figura 2 – Ilustração do método de medida do “SLUMP TEST”

 

Umedecer o conjunto de slump;

Colocar a chapa metálica em superfície plana e nivelada, utilizando uma camada de areia para regularização do piso.

Colocar a amostra de concreto em 3 ( três ) camadas de alturas iguais.

Cada camada deve ser adensada com 25 golpes, uniformemente distribuídos. Na camada inferior é necessário inclinar a haste levemente, e efetuar cerca de metade dos golpes em forma espiral até o centro.

Cada uma das camadas seguintes também deve ser adensada em toda sua espessura, fazendo com que a haste penetre aproximadamente 20 mm na camada anterior.

Após o adensamento, retira-se o molde suavemente dentro de um prazo de cinco a dez segundos. O abatimento é a diferença entre a altura do molde e o eixo do corpo de prova. De posse do resultado, autoriza-se ou não a descarga do concreto.

Figura 3 - Foto do método de medida do "SLUMP TEST"

Figura 3 – Foto do método de medida do “SLUMP TEST”

 

Moldagem dos Corpos de Prova

A amostra deve ser retirada após a retirada dos primeiros 15% e antes de completar a descarga de 85% do volume total;

O concreto deve ser colocado nos moldes cilíndricos com o uso da concha onde, para o corpo de prova de 10 x 20 cm, deve ser colocada em duas camadas adensadas com 12 golpes cada uma. Se o abatimento do tronco de cone for superior a 160 mm, a moldagem deve ser feita com apenas uma camada.

Figura 4 - Ilustração da moldagem do corpo de prova

Figura 4 – Ilustração da moldagem do corpo de prova

 

As formas devem ser colocadas sobre uma base nivelada (plana), em local livre de choques, vibrações e protegidas do calor e raios solares.

No adensamento da primeira camada, deve se evitar golpear a base do molde, na camada seguinte, a haste deve penetrar aproximadamente 20 mm na camada já adensada. Se a haste criar vazios na massa do concreto, deve-se bater levemente na face externa do molde até o fechamento dos vazios.

Usar desempenadeira de madeira ou colher de pedreiro para fazer o acabamento final e identificar os corpos de prova.

Cobrir as formas com chapas de madeira úmida ou outro material que evite a perda de umidade das amostras.

Quando não for possível realizar a moldagem no local de armazenamento, os corpos de prova devem ser levados imediatamente após o acabamento até local que deverão permanecer nas primeiras 24 horas.

Figura 5 - Foto dos corpos de provas já moldados

Figura 5 – Foto dos corpos de provas já moldados

 

Ensaio de Módulo de Deformação

A amostragem é definida a critério da obra , os ensaios comprovarão essa propriedade do concreto.

As amostragens podem variar de acordo com a necessidade do projeto.

O número mínimo de corpos de prova para ensaio de módulo de deformação é de 5 corpos de prova moldados de acordo com a ABNT NBR 5738.

Os valores especificados de módulo de deformação devem ser informados pelo engenheiro calculista no projeto e pelo fornecedor do concreto na nota fiscal (Módulo de Deformação em GPA).

Caso o resultado realizado não atenda o especificado em projeto, deve ser realizado uma nova amostragem para contraprova, esta amostragem pode ser feita através de extração de corpos de prova da peça concretada com aprovação do engenheiro calculista e/ou por amostragem na próxima peça a ser concretada na obra, esta decisão deve ser acompanhada pelo engenheiro responsável da obra.

 

Concretagem de Pilares

Controlar para que o horário da saída do caminhão da usina e o término de sua descarga, não ultrapasse o tempo limite de 2 horas e 30 minutos.

Fazer o ensaio de abatimento (slump test) de todos os caminhões e moldagem de 4 CP’s (2 para 7 dias e 2 para 28 dias). Durante este ensaio, avaliar visualmente a homogeneidade do teor de argamassa do concreto entre caminhões betoneira. Caso seja detectada a argamassa insuficiente ou em excesso, devolver o caminhão e comunicar a concreteira.

A concretagem deve ser acompanhada por carpinteiros com martelos de borracha, batendo na forma do pilar para verificar e prevenir a formação de bicheiras.

Molhar as fôrmas abundantemente e antes de lançar o concreto, jogar nata de cimento para melhorar a aderência do concreto novo ao antigo para lançar o concreto.

Lançar o concreto em camadas com espessura compatível com o comprimento da agulha do vibrador (aproximadamente igual a três quartos do comprimento da agulha), vibrando adequadamente até atingir a cota prevista de parada do concreto (aproximadamente 1 cm acima do fundo da viga mais baixa que chega ao pilar).

Para os pilares de grande altura (acima de 4m), devem ser abertas janelas nas fôrmas para executar a concretagem em etapas de 2,5m.

Fazer o mapeamento da concretagem, identificando em projeto reduzido (em folhas A3 ou A4) por caminhão os pilares concretados.

 

Concretagem de Vigas e Lajes

Repetir os procedimentos de conferência de nota, condições de início de serviço, ensaio de abatimento (slump test) e moldagem dos corpos de prova.

Toda concretagem deve ser acompanhada por eletricista e armador.

Umedecer a forma, tomando cuidado para nunca jogar água concomitantemente com o concreto.

Antes de lançar o concreto, limpar a cabeça do pilar e molhar a mesma até sua saturação, sem deixar água livre (empoçada) na superfície.

Iniciar o lançamento do concreto, espalhando-o com auxílio de pás e enxadas e vibrá-lo em diversos pontos com o vibrador na posição vertical.

Evitar o contato da agulha do vibrador com as fôrmas e não vibrar o concreto pela armadura.

Sarrafear o concreto com régua de alumínio, tendo como referência de nível as mestras metálicas previamente instaladas e niveladas.

Figura 6 - Ilustração da concretagem de peça estrutural com "carrinho de mão"

Figura 6 – Ilustração da concretagem de peça estrutural com “carrinho de mão”

 

Acompanhar minuciosamente os níveis superiores com o auxílio do nível a laser, e na parte inferior da forma com o auxílio do nível alemão e de linha previamente posicionada, verificando as possíveis deformações nas formas e cimbramento. Eventuais deformações devem ser corrigidas a fim de minimizar o sobre-consumo de concreto.

Verificar também se durante o lançamento não ocorrem deslocamentos da ferragem e outros elementos. Todo o cuidado deve ser tomado com as armaduras negativas para evitar o seu deslocamento de posição. Podem ser utilizados anteparos como tábuas ou compensados para evitar que os colaboradores envolvidos na concretagem da laje, pisem nos negativos.

Desempenar a superfície com floating e em caso da obra ser entregue sem contrapiso (laje 0), deve se realizar o alisamento do piso com a acabadora tão logo a superfície permita (quando não tiver mais sensibilidade ao toque).

 

Figura 7 - Foto de concretagem feita com bomba estacionária

Figura 7 – Foto de concretagem feita com bomba estacionária

 

Figura 8 - Ilustração do sarrafeamento feito na laje concretada

Figura 8 – Ilustração do sarrafeamento feito na laje concretada

 

No caso de acabamento convencional o mesmo deve ser executado por meio de régua de alumínio tomando o nível das mestras como referência. O desempeno deve ser feito atentando-se para o acabamento junto a interferências e gabaritos.

Fazer o mapeamento da concretagem, identificando em projeto reduzido (em folhas A 3 ou A 4), a área da laje preenchida por caminhão.

Iniciar a cura úmida tão logo a superfície permita (secagem ao tato), molhando as peças por um período mínimo de dois dias consecutivos, em intervalos de tempo suficientemente curtos para que a superfície da peça permaneça sempre úmida.

Quando possível, deve ser utilizado o Bidim 300g OP30 para auxiliar na cura úmida ou produto específico para cura química (Curing). Para tanto espalha-se o bidim por toda a laje assim que o concreto iniciar a sua pega, encharcando-o em seguida com água.

As primeiras 24 horas que se seguem à concretagem da laje são as principais para que se obtenha o melhor desempenho do concreto.

Figura 9 - Ilustração da cura feita após a concretagem

Figura 9 – Ilustração da cura feita após a concretagem

 

Diretrizes para o uso correto do Vibrador

Adensar com a agulha na posição vertical, exceto em lajes, onde é permitido inclinar o vibrador;

Distância entre pontos de imersão não superior ao raio de ação;

Altura da camada de vibração um pouco inferior ao comprimento da agulha do vibrador;

Inserir a agulha na camada sendo vibrada sempre com o motor ligado, deixando-a afundar por si própria;

Vibrar até o momento em que a superfície do concreto fique com aspecto “espelhada” e praticamente cesse a subida de bolhas de ar (tempo aproximado de 4 segundos);

Retirar a agulha da camada lentamente e com o motor ligado.
Erros mais comuns durante a Vibração do Concreto

ERROS MAIS COMUNS CONSEQUÊNCIAS E COMENTÁRIOS
Arrastar concreto com o vibrador Vibrador não é instrumento para arrastar concreto, mas para consolidá-lo. O movimento lateral do vibrador causa agregação, pois os agregados graúdos tendem a se separar da argamassa.
Vibrar com a agulha inclinada Inclinando-se a agulha, a transmissão dos esforços não se dá de forma homogênea. Parte da energia é dissipada para o ar. A posição ideal é a vertical
Empurrar o vibrador para dentro da massa Deve-se deixar o vibrador descer por si só
Retirar a agulha muito rápido A velocidade de retirada do vibrador deve ser tal que o concreto preencha o espaço ocupado pela agulha. Retirar rápido pode deixar vazios na massa.
Usar pontos de inserção muito afastados Se não houver superposição das áreas de influência, algumas regiões do concreto ficarão sem vibração.
Encostar o vibrador de forma contínua na armadura Afeta a aderência do concreto ao aço e, em vigas, pode deslocar os estribos.
Encostar o vibrador na fôrma Machuca a forma e pode deslocar os painéis
Vibrar camadas muito espessas A agulha do vibrador deve Sr mais comprida do que a altura da camada para haver a “costura” com a camada anterior e a peça ficar uniforme em toda a sua extensão.
Vibrar por muito tempo A sobrevibração pode causar segregação, principalmente em concretos muito fluidos.

 

Embora o concreto possa ficar com a superfície horizontal, o efeito do adensamento não se dá por completo.

Deixar o vibrador trabalhar no vazio Pode queimar o motor. O concreto age como resfriador.
Transitar com equipamentos sobre a mangueira A mangueira do vibrador não é vazia, pode gerar danos ao mecanismo.

 

Reparo e Recuperação de Peça Estrutural

Após a desforma (mínimo 24 horas após a concretagem), verificar se existem falhas de concretagem (fissuras ou trincas, corrosão da armadura, manchas na superfície, desagregações, deformações excessivas, entre outras) e realizar a investigação e diagnóstico das possíveis causas, conforme PO.47.01 – Recuperação de Estruturas de Concreto (Bicheiras).

 

Execução de Junta Fria

A superfície a ser tratada deve ser escovada ou jateada até apresentar uma superfície limpa, livre de impurezas e nata de cimento. Poderá haver umidade, porém, sem saturação.

Na área de formação da junta, deve ser mantido um ângulo de 45º para evitar a formação de trincas e melhorando a aderência.

Uma vez concluída a preparação da superfície, aplicar adesivo estrutural à base epóxi (tipo Sikadur 32, Compound ou similar), preparado de acordo com as orientações do fabricante e lançar o concreto logo em seguida.

Ter especial atenção, após a mistura dos componentes, com o prazo de início de pega do adesivo estrutural (da ordem de aproximadamente 30 minutos). Desta forma, a dosagem das quantidades a serem utilizadas em cada uma das juntas deve ser feita cuidadosamente, de modo a evitar perdas.