Saiba os principais caminhos para a montagem de um projeto luminotécnico

Especialistas apontam quais soluções devem ser consideradas para a realização de um projeto luminotécnico eficiente em edifícios residenciais

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A luz é essencial em qualquer ambiente. Uma frase que ficou mundialmente conhecida traz mais ênfase à essa questão: luz é vida! Partindo desse pressuposto e transportando ao mercado imobiliário, um projeto luminotécnico em edifícios residenciais requer planejamento adequado e atenção na hora de escolher a iluminação mais adequada ao seu empreendimento.

São vários fatores que devem ser considerados em um projeto luminotécnico: desde como aproveitar mais a iluminação natural até a garantia de um conforto visual. Os edifícios residenciais devem buscar uma iluminação funcional e estética simultaneamente.

A Funcional é para atender a entrada e saída das pessoas e veículos e segurança, assim como, para o deslocamento nos interiores, escadarias, áreas comuns e para o reconhecimento facial dos moradores e visitantes pelos porteiros e seguranças. Ao mesmo tempo, deve ser satisfeita a parte estética da entrada, o hall, jardins e salão de festas.

“Em geral, a iluminação é de aparência de cor branca quente. Quando o edifício possui sala de ginástica, o projeto luminotécnico deve estimular a atividade com bom nível de luz de aparência de cor fria. Garagens devem possuir uma iluminação bem distribuída de forma a evitar sombras”, afirma Isac Roizenblatt, diretor técnico da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux).

“Antes de oferecer a solução, temos que conhecer, com clareza, o ambiente a ser iluminado, quais as características de arquitetura, seus moradores, a motivação. Tudo tem que ser levado em consideração”, destaca Jefferson Garcia, specialist external light da JG Luz, estúdio especializado em projetos de iluminação e automação residencial.

O Brasil não possui toda a gama de fontes de luz eficientes que tem a Europa, por exemplo. Porém, em território brasileiro há muita criatividade. É preciso que o empreendedor pense na iluminação como investimento para cinco anos ou mais.

“Na minha opinião o que deve ser considerado são as curvas IES – formatos de arquivos fotométricos – dos fabricantes. Evidente que alguns importadores nem imaginam o que seja isto, mas é na curva IES que encontramos a qualidade da luz para o plano de trabalho”, diz o professor Ricardo Lopes, lighting designer da Nova Ricmon Consultores Associados, especializada em Arquitetura e Iluminação.

Na opinião de Lopes, hoje todos os bons fabricantes enviam na curva fotométrica o seu UGR – índice que mede o ofuscamento no plano de trabalho – e que está informado nas novas normas da ABNT de iluminação. “Os LED’s têm particularmente a luz dirigida – candelas – e um flick muito alto do que uma lâmpada fluorescente. Quanto maior a potência, mais ofuscamento ao local que deveria ser iluminado”, salienta Ricardo.

A solução para isso, de acordo com o professor, é primeiro investir em uma consultoria de um iluminador. A segunda é utilizar as lâmpadas que ainda estão “vivas” no mercado nacional. “Todo lugar é um lugar diferente para o projeto luminotécnico. Não copie o que você faz no Rio de Janeiro para São Paulo, tão próximos, mas com culturas e hábitos diferentes. Isto sem falar do clima”, ele afirma.

O sucesso desse tipo de projeto é o trabalho em sincronia da iluminação com todos os envolvidos: a segurança patrimonial, a psicologia da luz, o efeito das cores, seus cones, o ar condicionado, a acústica, tudo é envolvido pela luz. A iluminação é multidisciplinar.

“É fundamental conhecer e compreender bem a arquitetura do local, assim podemos seguir uma linha de iluminação especifica, seja cênica, de massa, despojada, dramática, enfim, para cada local determino uma luz única”, completa Garcia.

 

Iluminação Natural

 

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Para Roizenblatt, toda iluminação das residências e edifícios residenciais deve ser confortável de maneira a evitar qualquer ofuscamento e aproveitar, ao máximo, a luz natural para o bem-estar das pessoas. “Superfícies verticais vazadas e grandes janelas são ideais para o aproveitamento da iluminação natural”, ele diz.

“Áreas abertas e a posição do Sol devem ser estudadas neste caso. Mesmo se a luz solar não aparecer para ajudar, o design deve saber como usar a física. Rebatedores, espelhos côncavos e convexos. Tudo para que a luz natural auxilie o local com sua intensidade sem ofuscamento”, destaca Ricardo Lopes.

De acordo com Jefferson Garcia, alguns “truques” na hora de construir são fundamentais para ajudar a aproveitar melhor essa luz. “Tirar as cortinas ou deixar cortinas que se abrem totalmente, caso o espaço permita, como persianas verticais ou rolô. Tetos de vidro, quanto mais a abertura, mais luz no espaço. Recomendo sempre a ajuda de profissionais de arquitetura, imprescindíveis na hora de compor ambientes e a melhor utilização dessa luz”, ele diz.

 

Revestimentos complementares

 

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Revestimentos claros e suaves proporcionam boa reflexão da luz natural e elétrica criando ambientes agradáveis. Projetos em que participam, desde o início, especialistas em diversas matérias são os que garantem os melhores resultados. Dessa maneira, o trabalho conjunto com a participação de lighting designers, arquitetos e construtores desde o início dos projetos oferecem as melhores soluções.

Para o diretor técnico da Abilux,”o branco tem no máximo 85% de reflexão. A cor preta tem de 5 a 8%. Repare que nem tudo é zero e nem tudo é 100%. Quando o revestimento é áspero, a luz formará uma explosão, jogando fluxo para todos os lados”.

“Quando é liso, o ângulo de incidência é no mesmo que será mandando ao ambiente. Há também a parte mista, onde liso e áspero são encontrados e, assim, só calculando para saber em que direção seguirá a luz. Em resumo, cada índice gerado nos revestimentos leva um peso no cálculo da iluminação”, diz o professor Lopes.

 

Residencial x Comercial

Os projetos luminotécnicos para empreendimentos comerciais tem a luz como parceira na produção do comércio, eles buscam outros objetivos como desempenho, produtividade e economia de energia. Nos projetos residenciais, a função é o conforto.

Na opinião do professor Ricardo, usar luz com atmosfera fria em condomínio é um erro primário. “Para os usuários, a atmosfera fria remete ao trabalho. Esta luz deve ser acolhedora, sempre. Não digo para colocar 3000 K em tudo. Mas usar mais a cor correlata de temperatura de 4000 K. O índice de reprodução de cores é outro fator também que influencia e muito no conforto visual. Nosso LED não chegou ainda a 100 (índice da lâmpada incandescente) ”, diz.

“Na residência podemos trabalhar mais com sombras, algo mais acolhedor. Já no comercial, seguimos normas especificas para cada setor de trabalho, podendo ser até mais despojada, cada projeto seguindo uma proposta diferenciada”, afirma Garcia.

 

Custos

Roizenblatt salienta que edifícios residenciais e residências normalmente têm um custo da iluminação mais alto em função, entre outros itens, pela prioridade estética que é dada às luminárias, lustres e controles.

Para Lopes, essa realidade não deveria existir. Quem faz um projeto luminotécnico residencial faz para o bem de uma comunidade. O projeto é, comparando estudo, o mesmo. Talvez o índice de pessoas morando leve o peso no cálculo para baixo, mas nada que uma pesquisa com os moradores não faça isto elevar.

“Além do mais, o usuário do residencial costuma pedir muita luz devido à referência do nosso céu de azul tão intenso. Mas pergunte a ele o que é muita luz? Provavelmente não saberá responder. O correto é estudar o cliente para depois fazer a residência. Leva mais tempo, mas o projeto vem redondinho”, ele pondera.

Outra coisa, segundo ele, é a posição que entra o lighting design. Se esse profissional entrar no início do projeto, tudo fica mais fácil. A criação com o arquiteto e o cliente flui. “Os limites são expostos e, assim, o especialista sabe onde ir. Já não haverá briga pelo eixo do teto onde ar condicionado e acústica também querem”, diz.

Na opinião de Jefferson Garcia, pela riqueza de detalhes que um projeto luminotécnico residencial exige, existe uma diferença de custos. “Mas, ressalto que cada projeto tem sua peculiaridade, devendo ser analisada de maneira única”, ele finaliza.

 

Conteúdo: VIBCOM