Gerenciamento da execução das obras: como deve ser feito?

Garantir que a obra seja executada conforme as especificações descritas no projeto é essencial para a qualidade da construção.

gerenciamento de obras

O ciclo de vida de uma construção possui diversas etapas, sendo que cada uma delas requer um conjunto de ações e planejamento específico para atingir os resultados esperados. Ao mesmo tempo, é fundamental que todas as fases estejam interligadas e apresentem informações dispostas de forma que facilite a gestão como um todo.

O bom gerenciamento da execução das obras é fundamental para que isso aconteça. É por meio de uma gestão eficaz que é possível garantir que a construção ocorra conforme os prazos e orçamentos estipulados no projeto e atenda os padrões e requisitos de qualidade, conforto e desempenho imaginados.

A primeira etapa de uma construção se dá com a concepção do projeto arquitetônico, que, além de realizar todo o estudo de viabilidade do empreendimento, deve compreender plantas e desenhos, cálculos, especificações de materiais – tanto referente à quantidade quanto qualidade –, custos e quaisquer outras necessidades e informações que representem a edificação a ser construída.

É com ele em mãos que se seguirá para a etapa de execução de obras, visando dar vida a tudo que está no papel. “O primeiro passo é garantir todas as informações necessárias antes do início da obra. Além do projeto, incluem orçamento e cronogramas, por exemplo. Também se deve assegurar a identificação e disponibilidade dos recursos necessários (financeiros, humanos, tecnológicos, tempo, etc.), bem como o tratamento do ambiente ou partes interessadas (pessoas e organizações afetadas por ele)”, diz Francisco Ferreira Cardoso, professor especialista do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

De posse desses elementos, é necessário o monitoramento de cada uma das fases da obra, considerando desde a verificação da procedência dos materiais de construção, passando pela programação de aquisição dos mesmos, contratação e gestão de mão de obra até a supervisão da execução dos serviços e medições de desempenho.

Outro ponto importante é checar os dados e as informações constantemente para acompanhar se há algum ponto fora da curva, além de atualizar o cliente ou incorporador sobre o planejamento – tanto em questões financeiras quanto de desempenho.

“O bom gerenciamento da execução das obras está diretamente relacionado à qualidade do projeto em si, ou seja, à disponibilidade de especificações técnicas e clareza do nível de desempenho pretendido. Garantir esse nível de detalhe antecipará escolhas construtivas e outras decisões que seriam prejudicadas se tomadas durante a execução da obra”, completa o professor Francisco.

 

Tecnologias ao seu dispor

 

gerenciamento de obras

É muito importante para a qualidade e eficiência da edificação que a obra seja feita conforme o projeto elaborado. Afinal, foram despendidas horas de trabalho e de planejamento pensando no desempenho do edifício, tanto em termos de operação quanto de conforto para os usuários.

Para Clarice Degani, coordenadora-executiva do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), cumprir o que foi projetado reduz os riscos de um tropeço durante a execução das obras – e, caso algum imprevisto ocorra, a resolução também será mais assertiva.

“Isso garante menor desperdício de tempo, material, força de trabalho e investimento, assim como diminui as chances de tomadas de decisões equivocadas. Também há um aumento da credibilidade da empresa perante o seu mercado consumidor e agências financiadoras”, afirma Degani.

Hoje em dia, novas tecnologias e soluções facilitam o gerenciamento da execução das obras. É importante aproveitá-las para otimizar o tempo e ter mais segurança das informações do projeto, bem como para facilitar a integração das equipes e partes interessadas que estão envolvidas informações a respeito da construção em tempo real.

Clarice Degani elenca algumas possibilidades:

  • BIM (Modelagem da Informação da Construção): minimiza a incompatibilidade entre os sistemas projetados, instrumentaliza as atividades de suprimentos e facilita a realização das medições de serviços;
  • Softwares de planejamento e gestão: possibilitam o cadastro e acompanhamento de registros dinâmicos em dispositivos portáteis, confere agilidade e garantia dos registros essenciais;
  • Drones: facilitam o acompanhamento e o registro da evolução das atividades, conseguindo acessar áreas que estão indisponíveis para os profissionais;
  • Instrumentos de medição: permitem a medição de desempenho térmico, lumínico, acústico e de ventilação.

“Com a velocidade em que as inovações tecnológicas e o processamento das informações acontecem, torna-se extremamente importante que a equipe esteja atualizada e possa trazer as novidades e boas práticas para a execução das atividades no canteiro de obras”, afirma a coordenadora do CBCS.

O profissional responsável por este gerenciamento pode ser um membro da equipe construtora ou incorporadora e, até mesmo, de um terceiro contratado externamente. Para Francisco, professor especialista da Poli-USP, a pessoa deve possuir um perfil de liderança e um espírito de inovação, se atentando para propor melhores alternativas técnicas e econômicas ao longo do projeto.

“O mais importante é que este profissional esteja envolvido desde o início do desenvolvimento e da compatibilização das diversas disciplinas de projeto, ou seja, bem antes do começo da execução da obra”, afirma Francisco.

 

Objetivos claros

 

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A antecipação de imprevistos é essencial para continuar atendendo os requisitos descritos no projeto, mesmo em casos que é preciso encontrar soluções mais adequadas. Por este motivo, o gestor de obras deve participar da elaboração e compatibilização dos projetos, assim como atuar na investigação das expectativas de seus clientes e dos futuros usuário do empreendimento.

O planejamento das rotinas de monitoramento da obra deve ter a frequência e a abrangência que permitam a percepção dos desvios tão logo se manifestem. Ao se perceber o desvio no momento certo, é possível prever ações sobre estratégias de compras, alterações de especificação de materiais, mudanças de equipamentos, alternativas financeiras, dentre outras medidas. “Desde que se mantenham e respeitem, evidentemente, os desempenhos já pactuados com investidores e clientes”, afirma Francisco.

O professor especialista do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Poli-USP ainda dá dicas de como obter mais produtividade e excelência na execução das atividades.

“Ter as estratégias claras e o desempenho desejado bem caracterizado; disponibilizar ferramentas de planejamento, acompanhamento e medição à equipe de obras; garantir a participação dos projetistas, gestores, fornecedores, executores de obra e futuros usuários em cada uma das etapas do desenvolvimento do empreendimento, de sua concepção até a entrega para uso, operação e manutenção; e buscar inovar em produtos, processos, equipamentos, relacionamentos entre agentes, entre outras iniciativas”, finaliza.

 

Conteúdo: VIBCOM