Como montar um projeto de captação e reúso de águas pluviais?

Solução é muito utilizada para reduzir o consumo do recurso potável, já que as águas pluviais podem servir para fins secundários.

aguas pluviais

Em tempos nos quais é necessário consumir conscientemente os recursos naturais que o meio ambiente nos oferece, o reaproveitamento de águas pluviais é uma das formas mais eficientes de lutar contra o desperdício do recurso hídrico. Além de preservar este bem vital em nossas vidas, a iniciativa é fundamental para o desenvolvimento sustentável.

A implantação de um projeto de captação e reúso de água da chuva é comum em empreendimentos green buildings, seja qual for o tipo da edificação – residenciais, condomínios, indústrias, hospitais, entre outros, utilizam a solução para reduzir o consumo de água potável em suas operações e, consequentemente, a conta no final do mês.

Mas como instalar um projeto que atende as suas necessidades? Avaliar qual é a viabilidade e as possibilidades é o primeiro passo. “Deve-se analisar o índice pluviométrico da região onde se pretende realizar o reúso de águas pluviais. Em regiões com pouca chuva não faz sentido pensar em um sistema deste tipo”, diz a engenheira Sibylle Muller, sócio-fundadora e CEO da Acqua Brasilis.

Em seguida, o estudo de viabilidade do sistema deve levar em conta a área do telhado destinada para a captação das águas da chuva e os volumes que seriam tratados para o uso em finalidades secundárias – ou seja, não potáveis, onde não haja o consumo humano.

“A captação é feita a partir dos telhados, geralmente por meio de calhas verticais. O tratamento é feito em uma pequena central de tratamento de água coletada. Devem-se prever também reservatórios – ou cisternas, como são conhecidas – para o armazenamento do recurso”, lembra Sibylle.

Normalmente cada empreendimento tem as suas características e espaços, mas o indicado é que a cisterna seja instalada debaixo da terra. No entanto, hoje em dia há equipamentos que são destinados sobre a terra, mas, ainda assim, devem ficar em locais baixos.

“Não existe um local determinado para a instalação do reservatório, isso vai depender de cada projeto e suas necessidades e disposições. As únicas orientações a serem seguidas são: instalar a cisterna, enterrada ou abrigada da luz solar, uma vez que seu material é translúcido e, se instalado ao sol, pode haver procriação de algas na água com o passar do tempo”, afirma Eduardo M. Lorena, arquiteto e engenheiro da Acqualimp.

 

Custo benefício

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Segundo Eduardo, o tamanho da cisterna é determinado através do resultado do cálculo de capacidade de captação versus a necessidade de uso. “Precisamos saber o quanto de água de chuva vamos usar no determinado empreendimento e verificar se teremos área de captação e regime de chuva suficiente para atender a demanda”, explica. Saber qual é o índice pluviométrico também pode ajudar na decisão.

O investimento necessário para a implantação do sistema completo depende da escala do projeto e do tipo de empreendimento, uma vez que ele pode ser instalado tanto em casas populares quanto em aeroportos, por exemplo.

“Para edifícios residenciais, os valores de sistemas instalados, automatizados, com desinfecção e reservatórios, giram em torno de R$ 35 mil”, diz Sibylle. Já de acordo com Eduardo, um sistema completa aplicado em um condomínio padrão médio de 180 m² custa, aproximadamente, entre R$ 6 mil e R$ 10 mil.

A economia gerada na conta de água mensalmente revela que o sistema é cada vez mais viável e se mostra inteligente, já que o custo da água potável tem aumentado constantemente. “O retorno financeiro depende do quanto chove em cada região e do quanto o empreendimento consome de água de chuva tratada”, completa a CEO da Acqua Brasilis.

O custo-benefício pode ser pago, em média, em apenas cinco anos. Em projetos maiores, a economia tende a ser maior também, uma vez que o valor da água é escalonado.

A manutenção é simples – dependendo do grau de complexidade e de automação do sistema instalado – e deve ser feita periodicamente. O mais indicado é que elas sejam feitas, de preferências, em épocas de estiagem, facilitando o acesso ao interior da cisterna e equipamentos.

“A manutenção consiste basicamente em fazer a limpeza do material decantado no fundo da cisterna, o que pode ser realizado manualmente ou com a ajuda de um aspirador de piscina. Também devemos fazer a limpeza do filtro e a verificação da bomba”, explica Eduardo.

O planejamento antecipado do uso do sistema de captação de águas pluviais em um projeto propicia economia e possibilita a aplicação do recurso em todas as suas frentes. Implantar a solução em empreendimentos que já estão em funcionamento é diferente dos que estão em construção.

“Para entendermos melhor, imagine uma residência já construída. Nela, todo o abastecimento de água é feito pelo sistema tradicional. Todas as torneiras, vasos sanitários, quintal e área de serviços recebem desta água potável. Ao instalar um sistema de água de chuva, temos que adaptar toda a hidráulica da casa para que torneiras do quintal, vasos sanitários e outros possam receber a água da chuva”, completa o profissional da Acqualimp.

No entanto, se as tubulações necessárias já foram deixadas previamente instaladas pela construtora, não é preciso nenhum tipo de quebras ou reformas nas instalações existentes.

 

Qualidade da água

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É fundamental o tratamento da água da chuva antes do seu uso, independente de qual seja a finalidade. No entanto, não existe a necessidade de um tratamento mais complexo como o que é feito com as águas cinzas – provindas de pias, chuveiros, etc. A recomendação é descartar o primeiro 1 ou 2 mm de água (first flush), já que eles podem carregar as impurezas vindas do ar e do telhado.

Vale ressaltar que a qualidade do volume captado está diretamente relacionada à qualidade dos equipamentos aplicados no sistema, afinal, são eles que garantem o pré-tratamento, limpeza, armazenamento e uso adequado desta água. As cisternas, por exemplo, contam com acessórios capazes de impedir a entrada de terra e outras sujeiras, além de realizarem a filtragem do recurso.

Apesar de ser possível tratar a água da chuva para o consumo potável – já que algumas regiões do Brasil ainda dependem desta água para beber ou cozinhar –, normalmente, as águas pluviais são destinadas para limpeza de piso, rega de jardins e gramados, descarga sanitária, limpeza de panos de chão e tapetes, de carros, entre outros.

 

 

Conteúdo: VIBCOM