CONCRETO PODE SER RECICLADO E REAPROVEITADO

Concreteiras e construtoras têm à disposição métodos para reciclagem do concreto fresco e do endurecido

Créditos: Bannafarsai_Stock

 

Dos métodos construtivos, as estruturas de concreto estão entre os que menos geram resíduos. “Em média, de 2% a 3% de tudo que uma concreteira produz acaba retornando para as plantas e é descartado como resíduo. Estimando uma produção nacional de concreto usinado perto de 40 milhões m³/ano, é gerado cerca de 1 milhão de m³ de resíduos em todas as concreteiras brasileiras”, afirma o engenheiro Luiz de Brito Prado Vieira, consultor especialista em Pesquisa e Desenvolvimento da Votorantim Cimentos.

A devolução de material não utilizado no canteiro ocorre de duas formas diferentes. A primeira é o lastro, material que fica impregnado no interior da betoneira após o descarregamento total do concreto. Já a sobra diz respeito a qualquer volume residual não descarregado na obra e devolvido à concreteira. “Enquanto o volume de lastro varia de acordo com as características do concreto, a sobra caracteriza-se por ocorrer eventualmente”, comenta.

A reciclagem para o aproveitamento do concreto fresco e do endurecido começa a ser feita no país, gerando ganhos ambientais e econômicos.

Concreto fresco

Há duas maneiras para reciclar concreto fresco. A primeira se dá através de aditivo estabilizador que reduz a velocidade de hidratação do concreto, prolongando o tempo do material em estado fresco.

A segunda envolve o uso de equipamentos mecânicos conhecidos como recicladores e envolve a lavagem forçada do material, com água sob pressão, que separa o cimento dos agregados. O agregado obtido deste processo de reciclagem é conhecido como agregado recuperado.

Concreto endurecido

Para reciclar concreto endurecido, é utilizado um britador especificamente desenvolvido para essa finalidade, que tritura o material. “Por se tratar de britador de mandíbula ou de impacto, de grande porte, é usual que seja operado nas instalações das recicladoras ou em canteiro de obras maiores, como as de infraestrutura, onde há espaço físico para o equipamento”, diz.

O agregado que é produzido na britagem das sobras de concreto endurecido é conhecido como agregado reciclado. O concreto com agregado reciclado está normalizado pela ABNT NBR 15116 para uso em concretos não estruturais. “Neste momento, a norma está em revisão para ampliar o aproveitamento do material em concretos estruturais, como já ocorre no exterior”, conta Brito.

Tipos de concreto recicláveis

Praticamente, todos os tipos de concreto podem ser reciclados. As exceções são os especiais, como o pigmentado que, ao ser aproveitado, resultará em um concreto colorido. O mesmo vale para aquele que recebe adições de fibras.

Onde usar?

Hoje, está ultrapassada a ideia de que o concreto reciclado só pode ser empregado como sub-base de pavimento. “Fizemos um trabalho com a Universidade de São Paulo para uso em pavimento e, cada vez mais, o concreto reciclado é utilizado para a execução de elementos estruturais de 30 até 40 MPa. Basta ter tecnologia”, conta o especialista.

Normalmente, o reaproveitamento do concreto com aditivo é feito com conhecimento do cliente. Esse processo é utilizado em obras que dão mais importância à questão da sustentabilidade, pois a metodologia, apesar de ser um pouco mais trabalhosa, reduz muito a geração de resíduos em obra.

Benefícios

O principal benefício da reciclagem do concreto é o ambiental. “Porém, é importante avaliar o balanço ambiental caso a caso, considerando quesitos como método de reciclagem, equipamentos, demanda de energia do processo e qualidade do produto resultante”, ensina Brito.

No caso do uso de equipamentos como o reciclador ou o britador, há o impacto da energia empregada e do transporte do material, o que torna o balanço menos amigável. “Em geral, o balanço é mais positivo quando o reaproveitamento é feito através de aditivos estabilizadores de hidratação, porque a pegada do aditivo é muito pequena”, ressalta.

A reciclagem do concreto traz, também, ganhos econômicos para concreteiras e construtoras. “Destacam-se as reduções nos custos de produção decorrentes da economia de matéria-prima e de retirada e disposição de resíduos. Pode haver, ainda, uma queda no custo de diesel por volume transportado. Isto se deve à menor perda de tempo na lavagem das betoneiras e ao aumento da produtividade, quando o processo utilizado elimina a necessidade de retirada do lastro a cada carregamento”, conclui Brito.

 

Fonte: Votorantim Cimentos
http://www.votorantimcimentos.com.br/htms-ptb/Institucional/Contato.htm
http://www.mapadaobra.com.br/inovacao/concreto-pode-ser-reciclado-e-reaproveitado/