Impressão 3D pode trazer impactos positivos na construção civil

A tecnologia de impressão tridimensional (3D) deixou de ser algo restrito e permeia o vocabulário de muitas pessoas ao redor do mundo. 

impressao 3d

 

No Brasil, o tema é muito discutido nas áreas de informática, telefonia móvel e nas telas do cinema. Mas, um outro segmento também tem utilizado essa inovação tecnológica para evoluir: a impressão 3D cresceu muito no mercado nacional e tem sido utilizada na construção civil.

Recentes avanços na tecnologia 3D incluem impressoras mais baratas, a introdução de novos materiais e processos de fabricação mais rápidos. Uma das técnicas mais modernas é a de jato de tinta para misturar harmoniosamente materiais dissimilares dentro de uma mesma criação, como são os casos dos modelos Multi Jet Fusion, da Hewlett Packard (HP), e a PolyJet, da Stratasys. Elas facilitam a impressão com os chamados voxels, que permitem controlar a estrutura de cor e material em cada ponto de um objeto impresso.

Pesquisadores da Universidade de Columbia, em Nova York (EUA), revelaram um método de replicar vibrantemente a estrutura externa e interna de materiais como a madeira, usando uma impressora 3D e técnicas de digitalização especializadas.

Em seu recente estudo Madeira Digital: mapeamento 3D da textura interna de cor, a equipe de estudiosos conseguiu produzir uma impressão tridimensional intimamente parecida com a textura da madeira de oliva.

Avanços mais recentes nesse segmento incluem a primeira ponte de aço inoxidável impressa em 3D do mundo, exibida pela MX3D, e o dispositivo médico inovador do estúdio Tonkin Liu, de Anna Liu e Mike Tonkin, que conta com uma tecnologia estrutural de superfície projetada e desenvolvida ao longo de uma década de pesquisas para aplicações em arquitetura e engenharia.

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No Brasil a utilização dessa tecnologia vem crescendo e é comum para a prototipagem de maquetes tridimensionais. O uso dessas estruturas em escala reduzida já era uma realidade, porém, com um custo elevado. Com uma impressora 3D, isto se torna muito mais viável.

O País já consome diariamente produtos impressos em 3D, formando um ecossistema sólido para a tecnologia. De acordo com Juliana Martinelli, Fundadora e CEO da InovaHouse 3D, “hoje já temos fabricantes de máquinas, software, matéria prima, além de pesquisas na área, profissionais capacitados, modeladores e empresas que vendem produtos a partir de impressoras tridimensionais”, ela diz.

A Inovahouse 3D foi idealizada em 2015, em Brasília (DF), e chegou ao mercado trazendo novas possibilidades para a indústria por meio da impressão 3D, com destaque para a aplicação da tecnologia na construção civil.

Hoje é considerada a primeira startup da América Latina a estudar a aplicação de manufatura aditiva dentro do setor, e sempre buscando revolucionar o cenário atual de uma das indústrias mais poderosas do Brasil.

De acordo com a empresa, a aplicação da impressão 3D nos processos construtivos trará como benefícios:

– Atuação mais produtiva do setor;

– Menos acidentes de trabalho;

– Maior liberdade arquitetônica;

– Maior controle sobre recursos;

– Oportunidades para mais inovações

Aplicação na construção civil

A impressão 3D na construção civil ainda não é uma realidade no mercado brasileiro, nem em nenhum lugar do mundo, pois ainda não existe comercialização de casas impressas em 3D. A primeira família a habitar uma construção 3D foi na França, no meio de 2018.

A empresa americana IconBuilt foi a primeira a conseguir regulamentação para construção de uma casa impressa em 3D. Em termos de tecnologia, China, EUA, Rússia e Holanda são as mais avançadas, mas o Brasil ainda está caminhando para inserir a tecnologia no mercado.

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Para Felipe Peixoto, da Boa Impressão 3D, “no futuro, todo um projeto poderá ser feito por uma enorme impressora 3D. Já na China há alguns protótipos que funcionam dessa maneira, usando um tipo especial de cimento”, ele diz.

“Estamos em fase de aprimoramento da tecnologia desenvolvida até agora, para sua real aplicação em uma obra, e adaptação das empresas da construção para receber essa mudança. A meta da InovaHouse 3D é construir a primeira casa ainda em 2019, marcando o início do processo de regulamentação dessa nova metodologia construtiva”, afirma Martinelli.

Além da primeira casa impressa em 3D, a startup da Capital Federal oferece consultoria para empresas da construção, além de criar fundos apoiadores de pesquisas e executar a fabricação de alguns elementos para obras.

“Hoje também temos a impressora 3D Alya 130, que já trabalha exclusivamente com material cimentício, e estamos indo para a Alya 230, que vai operar dentro das obras. Buscamos hoje empresas parceiras que queiram iniciar a fabricação em escala industrial dessas máquinas e do material, para atender a demanda brasileira”, ela diz.

A Boa Impressão 3D, com sede em Curitiba (PR) e São Paulo (SP), tem como missão viabilizar a impressão 3D como uma nova fase da indústria, distribuindo para o máximo de pessoas a um custo baixo e com foco na qualidade.

“Nós oferecemos e desenvolvemos o nosso próprio modelo de impressão 3D, a Stella. Ela é ideal para uso doméstico, escritórios, escolas e pequenas indústrias. Além disso, temos a nossa própria marca de filamentos, que são a matéria-prima da impressão”, diz Peixoto.

Para ele, uma impressora 3D é como uma “mini fábrica” de muitas coisas ao mesmo tempo, então não tem a necessidade de se fazer uma impressora voltada apenas para um mercado.

Uma grande questão que sempre gera dúvida nesse segmento é o custo. Será possível baratear os equipamentos para difundir e tornar a tecnologia mais acessível no mercado? Para Juliana, a cada ano que passa o custo das impressoras está cada vez mais barato, quanto maior a demanda e mais usual for a tecnologia, mais barata as máquinas vão ficar. Isso vale para todas, inclusive as tradicionais.

“O que vale falar aqui é que a máquina nacional é mais barata e vantajosa que as máquinas estrangeiras, pelo sistema de manutenção, por conversar melhor com nossa realidade de indústria e por não ter taxa de exportação. É bom valorizarmos o mercado nacional e nos fortalecermos com ele”, ela completa.

impressora 3D

“O custo de uma impressora 3D já caiu bastante, hoje, a Stella 2 está por R$ 2.600,00 o que é menos que um celular ou videogame top de linha hoje em dia. Mas, com a popularização, é possível sim diminuir o investimento”, afirma o representante da Boa Impressão 3D.

A CEO da InovaHouse 3D costuma dizer que não consegue ver limites para a atuação industrial da tecnologia de impressão 3D. Na sua opinião, foi colocado o desafio da velocidade de fabricação, de limitação de material e de escala, porém, todas foram superadas.

“A viabilidade financeira também, ela vem desbancando vários processos industriais de fabricação em massa. Saber usar uma impressora e modelar artigos em 3D pode ser uma das habilidades do futuro. Por isso é tão importante criar esse ecossistema estruturado para a tecnologia aqui dentro do Brasil”, enfatiza Juliana Martinelli.

Felipe Peixoto também lembra que ”é muito importante o incentivo à pesquisa para que novas tecnologias e produtos possam ser criados. Nós erguemos a empresa sem aporte ou investidores, e crescemos com o sucesso de cada venda”, finaliza.

 

Conteúdo: VIBCOM