Gabaritos e Locação de Obras. O Passo a Passo do Início da Construção

Ao ser informado sobre a responsabilidade de uma nova obra, o Engenheiro responsável, deverá estar em posse de todos os documentos referenciados no Procedimento de gabaritos e locação de obras.

• NR-18 (Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção);
• Levantamento Planialtimétrico;
• Fundações (Projetos de Fundação);
• Projeto de Prefeitura e Locação de pilares.

Materiais

Os materiais relacionados abaixo, neste item, devem estar no canteiro de obras antes que a primeira equipe inicie os serviços de locação de obra.

• Tabua de pinus 1” x 12” (2,5 X 30cm);
• Sarrafo de pinus 1” x 4” (2,5 x 10cm);
• Sarrafo de pinus 1” x 6” (2,5 x 15cm);
• Pontalete de pinus 3” x 3” (7,5 x 7,5cm);
• Tinta acrílica cor branca Neve;
• Tinta esmalte vermelha
• Tinta esmalte azul;
• Arame recozido nº 18;
• Água;
• Areia;
• Brita 1 e 2;
• Cimento;
• Prego 15 x 15; 17 x 27; e 18 x 27 com cabeça

 

Equipamentos

• Carrinho de Mão;
• Cavadeira;
• Esquadro Metálico;
• Gabarito de letras e números;
• Linha de náilon;
• Marreta 10kg e 1,5kg;
• Martelo;
• Nível de mão;
• Nivel de mangueira ou a laser (se necessário);
• Pá, enxada, picareta, vanga;
• Prumo de centro;
• Rolo de pintura (lã 15cm), pincel;
• Serra circular manual;
• Serrote;
• Trena metáloca;
• Topografo contratado (Equipamentos e serviços);
• EPI’s: Capacete, Bota de Couro e Borracha, luvas de borracha, Cinto de segu-rança, Óculos de proteção, Protetor auricular.

 

Método Executivo
Condições para inicio de Serviço
O terreno deve estar limpo e desimpedido de vegetações ou resto de demolições e ar-rasados até as cotas definidas para execução das fundações conforme projeto.
Talude chapiscado, caso necessário.

 

Execução de serviço – Montagem de gabaritos

Definir a referência de nível (RN) da obra e a referência pela qual será feita a locação da mesma e marcá-las em local livre de movimentação, que poderá ser uma lateral alinhada do terreno ou um ponto ambos locado por topografia.

Para esta definição, é aconselhável sempre confrontar o levantamento planialtimétrico com o projeto de locação e as divisas do terreno, de modo a escolher a melhor referência.
Solicitar ao topógrafo a conferência de eixos e divisas de obras. Após esta conferência, verificar as distâncias entre os eixos e divisas.

O topógrafo deve transferir os eixos X e Y para as divisas do terreno, preferencialmente nos muros de divisa, ou em locais livres de movimentação e demarcá-los com tinta vermelha e pino de aço. Caso não haja muro de divisa (como no caso de tapume), deverá ser providenciado testemunho de concreto. Este testemunho deverá ser executado com o mínimo de 20 cm e com pelo menos 1,0 m de profundidade e concretado ficando cerca de 2 cm acima do nível do terreno. Para melhor acabamento do testemunho, utilizar um pedaço de tubo de PVC na extremidade superior. Após a concretagem, cravar um prego de aço no eixo.

O engenheiro deve checar os recuos e níveis dos pavimentos com o projeto aprovado na Prefeitura, além de checar in loco os pontos de referência da obra para definir o local e dimensões.
Definida as referências para locação do terreno, executar o gabarito perimetral a edificação. O gabarito deverá ser locado (corpo do prédio), a uma distância mínima aproximada de 1,50 m da projeção do corpo do prédio, ou obedecendo o mínimo de 50 cm da face do bloco mais próximo do gabarito (Figura 1).

Após a definição do local de instalação do gabarito, o topógrafo deverá transferir os eixos para esta região preferencialmente nas faces do gabarito e definir os cantos do gabari-to. Providenciar testemunhos nos eixos principais.

Figua 1 - Esquema de montagem do Gabarito

Figua 1 – Esquema de montagem do Gabarito

Os gabaritos devem ser construídos cravando os pontaletes aprumados e concretados a 50 cm abaixo do nível do solo e a uma distância de 1,5 cm entre eles, conforme figura 2. Os gabaritos devem ser construídos, quando possível paralelo aos eixos principais do edifício.

Após o endurecimento do concreto (pelo menos 12 h), os pontaletes devem ser corta-dos e nivelados com a utilização da serra circular, todos nivelados a uma altura média de 1,5 m do solo.
É recomendável que as fileiras de pontaletes paralelas entre si (um lado da marcação) estejam no mesmo nível, e as fileiras de pontaletes localizadas no outro sentido estejam nive-ladas a uma diferença de aproximadamente 20 cm de altura, para que não ocorra o conflito entre os arames (Figura 2 B).

Nota: é recomendável que os lados menores do gabarito no terreno sejam os mais baixos.

Pregar sarrafos de 1”x 6” (2,5 x 15 cm) no topo dos pontaletes, e como fechamento na lateral, as tábuas de 1”x12” (2,5 x 30 cm).

Executar o esquadro de todos os cantos por triangulação (Pitágoras ex: 3/4/5 – 6/8/10 – 9/12/15).

Prever contraventamento dos gabaritos, utilizando sarrafos de 1”x 6” (2,5 x 15 cm) ou 1”x 4” (2,5 x 10 cm), partindo dos cantos e alternando-se um sim, um não, entre cada pontalete.

No lado externo dos gabaritos, utilizar mão-francesa para travamento dos pontaletes, mantendo o alinhamento (Figura 2).

 

Corte transversal de uma das laterais do gabarito e detalhe do encontro entre as tabeiras ortogonais

 

A seguir, pintar todo o gabarito com tinta acrílica branca.

O topógrafo pode então fazer a marcação de todos os eixos necessários no gabarito. Pode-se fazer a marcação de eixos auxiliares como paredes de divisa, para posterior conferência.

Os pontos dos eixos marcados na parte superior (tabeira) devem ser marcados com pregos 12 x 12 sem cabeça pregados 70% de seu comprimento pelo topógrafo.

O nome do eixo deve ser pintado na tábua da face com tinta esmalte vermelha ou azul e com o auxílio de gabaritos de letras e números, no mesmo alinhamento do prego (Figura 3).

Figura 3 - Vista frontal do Gabarito

 

Para facilitar a localização do prego, deve se circular seu entorno com mesma tinta da marcação do eixo, tomando cuidado para não cobrir a ponta do prego com tinta.

Em obras na qual a fundação prevista não utilize de maquinário pesado que possa alterar a locação dos pontos, o topógrafo deverá locar os piquetes referentes ao eixo da estaca.

Os piquetes devem ser cravados no terreno com profundidade entre 15 cm e 20 cm abaixo da superfície e cobertos com uma porção de areia, de maneira que possam ser facilmente identificados e, evitando assim colisões acidentais que possam alterar a sua posição. Nota: Caso o tipo de fundação não permita, o mestre e o engenheiro deverão locar o ponto no momento da execução da estaca. Independente da locação dos piquetes por topografia, os pontos deverão ser checados por prumo de centro no momento da execução da fundação.

Finalizada a locação pelo topógrafo, o Mestre e o Engenheiro devem realizar a conferência dos gabaritos e dos pontos locados. A locação e marcação dos gabaritos deverão ser conferidas por duas equipes diferentes para se fazer o “Double Check”, sendo a segunda conferência realizada obrigatoriamente por equipe de outra obra.

Depois de conferido, o mestre deverá traçar uma reta com o auxilio de um esquadro metálico, ortogonal ao gabarito e no eixo do prego 12 x 12, que será batido até o final e bater os pregos de apoio (15 x 15) em ambos os lados do prego 12 x 12, para guiar a passagem do arame de eixo (o arame deve passar entre os pregos inseridos pelo mestre e sobre o prego inserido pelo topógrafo).
Outro prego deve ser inserido na parte posterior da tábua, no mesmo alinhamento do eixo, para amarração do arame.

A seguir, pode-se esticar os arames correspondentes a cada elemento estrutural. O cruzamento dos arames define o centro deste elemento estrutural, que deve coincidir com o piquete marcado pelo topógrafo ou mestre de obra (dependendo do tipo de fundação a ser executada) que está no terreno (descendo-se o prumo de centro no cruzamento dos arames).
Se ocorrerem diferenças entre o piquete e o prumo de centro, a posição indicada pelo prumo de centro deve prevalece, devendo o piquete ser corrigido.

Independentemente dos tipos de fundações adotados, a cada execução de um ele-mento estrutural, o piquete deve ser conferido com o prumo de centro, no cruzamento dos arames. Estes irão servir de referência para a perfuração das estacas.